opinioes
A COMUNICAÇÃO QUE TODOS DIZEM SABER FAZER É UM CANCRO PARA ÀS ORGANIZAÇÕES
29/05/2026

Uma dor no peito pode lhe alertar sobre a necessidade de ter de buscar pelos serviços médicos. A tosse persistente pode ser sinal de problemas cardíacos, pois na maioria das vezes existe um excesso de líquido nos pulmões. Esse acúmulo de líquido pode ser causado por uma insuficiência cardíaca congestiva, responsável pela tosse e pelo chiado.
A dificuldade de respirar durante o sono se refere a apneia obstrutiva do sono, uma condição que faz com que o paciente pare de respirar por alguns instantes durante a noite.
Nos casos referenciados no primeiro e no segundo parágrafo, é possível perceber que recorrendo aos serviços de um arquitecto ou de um jurista para o tratamento médico, certamente seria um absurdo pois um arquitecto ou um jurista não poderá prestar o serviço adequado a quem precisa de serviços médicos de especialidade.
Alguém que necessita dos serviços de especialidade de um cardiologista, que é um profissional que trabalha no diagnóstico e tratamento de doenças do coração e sistema circulatório, não se submete para ser assistido por um arquitecto ou por um jurista.
Num segundo caso, imagina alguém que tem de construir um edifício. Alguém que necessita dos serviços de engenharia com práticas especializadas que envolvem o conhecimento técnico e científico para planear, projectar, construir e manter estruturas na área da construção civil. A engenharia é uma disciplina essencial para garantir a qualidade, segurança e eficiência em qualquer projecto.
Esses serviços abrangem uma ampla gama de actividades, desde a elaboração de projectos arquitetónicos até o gerenciamento completo da obra. Os engenheiros trabalham em estreita colaboração com arquitectos, designers e outros profissionais do sector para garantir que todas as etapas sejam executadas adequadamente. No entanto, imagina que, para a execução, destes serviços sejam são atribuídos a um economista ou a um gestor de recursos humanos.
As hipotéticas situações suscitadas nos parágrafos anteriores tem sido o dia-dia vivenciado nas diversas instituições, empresas públicas e privadas do mercado angolano. A suposta facilidade da produção de conteúdos que podem ser divulgados através das diferentes ferramentas de comunicação com base nas tecnologias de informação e comunicação, entre as quais se destacam as redes sociais, tem sido um dos principais erros mais comuns que as organizações cometem pela falta de selecção de pessoal qualificado para o desempenho das funções no campo da comunicação e do marketing.
A comunicação é um ato diário e presente em todos os locais do planeta. Por se tratar de uma acção que está sempre presente na vida das pessoas, é compreensível que o ato de comunicar tenha implicações em áreas de estudo, pesquisa, especializações e, posteriormente, em diversas profissões.
Devido a generalidade que a comunicação aparenta com várias facetas envolvidas na comunicação e no marketing no contexto das organizações, geralmente denota-se que muitas pessoas se acham serem plenos conhecedores da natureza e do escopo das funções do campo da comunicação.
Em Angola o campo da comunicação encontra-se invadido, usurpado pela promiscuidade da falta de ética profissional. O amadorismo e o oportunismo fortemente expandido com a revolução tecnológica tem sido absorvido pelo nepotismo e o tráfico de influência, fazendo com que os profissionais da área sejam preteridos, substituídos por pessoas sem qualificações e habilidades para o sector.
Actualmente muitos profissionais de comunicação são comparados e equiparados por quem se predispõem a fazer uma postagem no feed de notícias, uma acção que a grande maioria faz sem ter de aplicar as técnicas rebuscadas para transmitir a mensagem. Todavia, o que é imprescindível e que seria mais correcto no contexto das organizações é que as acções sejam feitas por profissionais que conhecem os meandros da comunicação estratégica. Profissionais que reconheçam as características do meio, Facebook, Instagram, entre outras redes socias.
O conhecimento na área da comunicação permite que elementos simples possam ser usados para determinar a clareza do conteúdo e, portanto, o engajamento que venha a ser conquistado.
Entretanto, na busca do protagonismo, o pensamento e acção dos amadores do campo da comunicação tem tentado mostrar tudo o que sabem sem competências específicas, mas com o objectivo de preservar a oportunidade que lhe surgiu na área da comunicação.
São milhares os oportunistas que se apoderaram do campo da comunicação. E um entre os vários problemas que causam, é o cancro do amadorismo que consiste na impossibilidade alcançarem os objectivos da comunicação e marketing perante ao improviso que geralmente é visível pela péssima forma que a grande maioria das organizações públicas e privadas comunicam no mercado angolano.
O amadorismo prende-se na nova febre do jogo do acaso, o achismo, que na sua tentativa de transparecer profissionalismo ofusca a mensagem a ser passada.
O conteúdo muitas vezes não depende do vasto conhecimento que se deseja demonstrar e isso acaba pondo em cheque a clareza do que está a ser dito. O pensamento do profissional, em contrapartida, é cirúrgico em sua abordagem. Ele foca no objectivo do conteúdo e utiliza as ferramentas necessárias para que seja cumprido. Tal como acontece com demais áreas do saber, o campo da comunicação não está isento da necessidade de absorver os profissionais da área. Assim como acontece com a medicina, o direito, as engenharias, etc, que o primeiro passo para ser reconhecido como um especialista, antes de mais deve se submeter a formação, no campo da comunicação também é necessário frequentar os cursos credenciados para o efeito e prestar as provas conforme os critérios e pressupostos para à obtenção da especialidade.
A comunicação é uma ciência, e como tal possui um campo de estudo que engloba os processos de produção, transmissão e recepção de mensagens em diferentes meios e contextos.
Os profissionais da área são dotados de competências que lhes permite desempenhar as funções com base no contexto e nas dinâmicas culturais, políticas e económicas, além de desenvolverem estratégias para informar, persuadir ou entreter os distintos públicos.
Enquanto os verdadeiros profissionais de comunicação não se emanciparem, o campo da comunicação no mercado angolano vai continuar a proliferar o cancro da desinformação informativa.



